terça-feira, 10 de março de 2015

Projeto beneficia 14 comunidades remanescentes de quilombos



Cento e dezesseis pessoas de 14 comunidades remanescentes de quilombos da Bacia e Vale do Iguape, em Cachoeira (a 110 km de Salvador), no Recôncavo, serão beneficiadas pelo Projeto Cidadania Quilombola. O projeto visa estruturar e fortalecer práticas produtivas do cultivo de ostra, o artesanato, a produção artesanal de azeite de dendê  e  o turismo étnico nas comunidades.

No quilombo do Kaonge, em Santiago do Iguape, distrito  de Cachoeira, onde o projeto foi lançado, dez famílias já participam das atividades, iniciadas em janeiro. Segundo Ananias Nery Viana, coordenador do projeto e articulador das comunidades quilombolas, todas as 14 comunidades participam dos núcleos e das atividades e já sabem o que querem.

Expectativa
Ananias Viana afirmou que todas as comunidades buscam fortalecer a produção e incrementar a comercialização do azeite do dendê, do mel, do artesanato e das ostras. "São cultivos que já existem nas comunidades. O projeto do governo é o primeiro em benefício dos quilombolas, que já vêm executando outros projetos. Temos os núcleos já formados. O de dendê, por exemplo, vai reformar o espaço da produção, que é feita artesanalmente; o da ostra e do mel vai fortalecer sua comercialização", disse.

As ações do projeto têm um  período de execução previsto para dois anos, com um investimento de R$ 232 mil. "Vai incrementar e dar visibilidade no que já vem sendo realizado nas comunidades", disse Viana, que também é coordenador do Centro de Educação e Cultura do Vale do Iguape, executora do projeto.

O Projeto Cidadania Quilombola foi contemplado pelo Edital de Apoio a Empreendimentos de Matriz Africana da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre).

Nas 14 comunidades quilombolas, as famílias produzem por semana dois mil litros de azeite de dendê; 200 kg de ostras,  além do artesanato de cestaria e adorno.

Escoamos toda a produção para Cachoeira, Salvador, Camaçari, Feira de Santana, Candeias e outras cidades. Feiras livres, bares e restaurantes são clientes, além das prefeituras, que compram mel para a merenda escolar", completou Ananias Viana.

segunda-feira, 9 de março de 2015

6 mil integrantes do MST estão marchando em direção a Salvador


A marcha do MST reúne cerca de 6 mil sem terras das dez regiões da Bahia e terá um trajeto de 116 quilômetros, entre Feira de Santana e Salvador.

O deputado federal e membro do movimento, Valmir Assunção (PT-BA), aponta para as políticas públicas que precisam avançar citando a necessidade de continuar com as desapropriações de terras e desenvolver ainda mais a infraestrutura dos assentamentos existentes.

“O MST segue as ações como movimento social de luta pela terra, e o país precisa participar desse diálogo sobre a reforma agrária e melhores condições para a vida no campo. A sociedade não é isenta desse debate, é preciso ampliar o diálogo com os setores de produção, técnicos e desenvolver mais assistência técnica, investimentos na convivência com a longa estiagem e em projetos de beneficiamento e comercialização de alimentos da agricultura familiar”, diz Valmir.
De acordo com o dirigente nacional do MST, Marcio Matos, há um novo cenário político na Bahia que abre espaço para o diálogo com a sociedade, com os órgãos públicos e com movimentos que debatem a reforma agrária no país, defendendo a construção de um sistema mais igualitário.

“Essa marcha cumpre o papel de estreitar as relações entre o MST e a população baiana. Nossa jornada de luta segue os mesmos parâmetros das anteriores, levando cada vez mais militantes para as ruas. Dessa vez vamos de Feira para Salvador com mais de 6 mil pessoas”, salienta.

Matos ainda informa que a concentração da marcha já acontece em Feira de Santana neste domingo (8/3), e a abertura da programação será com a ação das Mulheres Sem Terra, marcada para essa segunda-feira (9).

Ainda conforme o MST, os trabalhadores rurais pretendem cumprir o trajeto da marcha de Feira a Salvador em seis dias.