quinta-feira, 20 de março de 2014

EXPLORAÇÃO E ABANDONO NO NORDESTE DO BRASIL.

Depois de explorar trabalhadores do nordeste, agronegócio demite 6 mil.


Seis mil e duzentas pessoas deverão ser demitidas no Rio Grane do Norte e no Ceará com a saída da Del Monte Fresh Produce Brasil do mercado internacional de banana. 

Principal exportadora do produto em solo potiguar, a Del Monte informou que deverá manter em torno de 700 dos 6.900 empregados no RN e CE, corte de quase 90% no número de colaboradores.

O número é equivalente a três vezes e meia o total de trabalhadores contratados por todo o setor agropecuário nos dois estados, em 2013, que foi de 1.806, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho e Emprego. A empresa não detalhou em quanto tempo as demissões vão ocorrer nem o total de trabalhadores que serão dispensados apenas no RN.

césar alvesPlantação de bananas no RN: a Del Monte vai reduzir em 38% a área destinada ao cultivo da fruta, no Rio Grande do Norte e CearáPlantação de bananas no RN: a Del Monte vai reduzir em 38% a área destinada ao cultivo da fruta, no Rio Grande do Norte e Ceará

No estado, a Del Monte mantém 10 fazendas na região do Vale do Açu com 1.450 hectares de área plantada. De acordo com o gerente geral da Del Monte no Brasil, Sérgio Camacho, com a mudança de estratégia, até julho de 2014 essa área para o plantio de banana será diminuída para 900 hectares, o que equivale a uma redução de 38%. Em 2013, a produção da multinacional no RN fechou em 3,5 milhões de caixas de 18 quilos de banana, sendo que 60% desse valor – 2,1 milhões de caixas – foi para o mercado externo.

Na última semana, a Del Monte já havia anunciado que deixaria de produzir para o mercado internacional. Entre os motivos apontados pelo gerente geral da companhia está a cobrança de taxa de 40% para a banana brasileira que é exportada aos países europeus, enquanto que concorrentes são isentos devido a acordos comerciais.


Sérgio Camacho acrescenta entre os fatores negativos os custos que seriam altos com insumos no RN e CE, em comparação com outros países produtores que competem com a Del Monte, além de dificuldades na liberação de agroquímicos que em outros países não são proibidos, o que gera custos maiores do que os enfrentados pelos concorrentes.

Saiba mais

Na opinião do gerente geral, uma solução possível seria a diminuição da taxa de importação do produto, o que poderia ser viabilizado com negociações entre o Mercosul e a União Europeia. “O ambiente não é positivo. A Del Monte não pode seguir arcando com essa situação negativa. Estamos gratos por estar aqui. Não se trata de uma crítica. É uma decisão. Já estamos aqui há 12 anos e podemos dizer que é muito complicado exportar do Brasil”, afirma.

Com a mudança, a estimativa do gerente geral é que a produção em 2014 chegue a um patamar de 2,25 milhões de caixas de 18 quilos de banana no RN, que serão distribuídos para a Grande São Paulo, Ribeirão Preto, Campinas e Manaus. “Também estamos fazendo contatos para vender para a Bahia”, diz. A Del Monte planeja produzir coco nos 550 hectares que deixarão de ter bananas, ideia que ainda está em fase de estudo, segundo ele.

Impacto

Conforme o presidente da Companha Docas do Rio Grande do Norte, Pedro Terceiro de Melo, a exportação de banana da Del Monte pelo Porto de Natal envolve algo em torno de 1.080 contêineres/ano entre os 3 mil contêineres de frutas exportadas anualmente. “É um prejuízo para o porto. A banana representa 10% da exportação das frutas. Toda a perda é representativa. Temos que buscar suprir isso com outro segmento”, avalia.

O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Silvio Torquato, explica que a banana é isenta de pagar o imposto estadual, o ICMS. “Num primeiro momento, não vejo o que fazer. É uma questão de estratégia de mercado da empresa”, explica. Torquato diz que não foi procurado. O secretário de Estado de Agricultura, Tarcísio Bezerra, também diz não ter sido procurado pela empresa.

Memória

Não é a primeira vez que a Del Monte Brasil enfrenta problemas com a sua produção. Em maio de 2008, a produtora e exportadora de frutas anunciou a demissão de cerca de mil funcionários no Rio Grande do Norte, devido aos “inúmeros prejuízos” causados pelas enchentes no Vale do Açu, onde concentra sua produção.  As demissões ocorreriam principalmente em Carnaubais e na Zona Rural de Assu.

Na época, entre as 12 fazendas da companhia, pelo menos quatro tiveram o acesso comprometido por alagamentos. E estimaram perda de metade da produção prevista para o ano, de 4,5 milhões de caixas (81 mil toneladas).

 Nos últimos oito anos a empresa oscilou entre as posições no ranking de exportações no estado. A colocação mais baixa foi em 2008, no ano seguinte, se posicionando em décimo primeiro, e movimentando U$$ 14.282.680. Sendo que, desde 2010, a produtora iniciou investimento no mercado nacional, fortalecendo clientela no estado de São Paulo, onde agrupa  95% da clientela nacional.

Ano passado, a empresa não conseguiu conter a queda nas exportações no primeiro semestre. A área de plantio foi ampliada em 150 hectares, chegando a 1,4 mil apenas no estado, mas ainda assim o volume exportado foi 28% menor que o exportado no mesmo período de 2012. A razão foi a seca. O quadro fez a empresa repensar investimentos e cogitar a possibilidade de enxugar o quadro de funcionários

TODOS E TODAS CONTRA O RACISMO.

Bahia estuda adotar medidas de combate ao racismo durante a Copa

O árbitro de futebol Márcio Chagas da Silva apitou a partida entre o Esportivo e o Veranópoles, pela 13ª rodada do Campeonato Gaúcho, que aconteceu no último dia 5 de março, em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. O jogo terminou com derrota por 3 a 2 do Esportivo, o clube anfitrião. A culpa foi atribuída pela torcida ao juiz e um detalhe é importante para o entendimento da história: Márcio Chagas é negro.


Ao sair do campo, o árbitro ouviu dos torcedores do Esportivo ofensas relacionadas à sua cor da pele. “Macaco imundo!” e “Negro sujo!” foram alguns dos gritos vindos das arquibancadas. E não parou por aí. O automóvel de Márcio, estacionado em um local privativo, foi danificado. Bananas foram arremessadas ao veículo, em mais uma insinuação de que o juiz era macaco.
Árbitro Márcio Chagas

A história de Márcio Chagas ganhou repercussão nacional, mas não é uma exceção no esporte. Há menos de um mês do caso, o jogador brasileiro Tinga também havia sido insultado durante uma partida da Libertadores da América, entre o Cruzeiro e o peruano Real Garcilaso, no Peru. A torcida adversária do Cruzeiro começou a emitir sons de macaco quando Tinga tocava na bola.

Essa repetição de casos de racismo no futebol tem preocupado as autoridades da Bahia, estado que vai sediar a Copa do Mundo de 2014 e que tem oito das 10 cidades mais negras do país, segundo o último Censo do IBGE, de 2010. Em Salvador, onde está localizada a Arena Fonte Nova, que receberá os jogos do mundial, a população afrodescendente chega a 80%, o que dá à capital baiana o título de cidade mais negra fora do continente africano.

No último dia 25 de fevereiro, a chefe de gabinete da Secretaria Estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Olívia Santana, esteve em Brasília para participar de uma reunião com o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo. Na pauta: a preocupação com o racismo durante a Copa do Mundo no Brasil e a necessidade de se pensar em ações de combate à discriminação.

Olívia Santana é conhecida pela luta antirracista. Ela integra a Unegro (União de Negros pela Igualdade) e está à frente da luta de combate ao racismo no PCdoB, partido a qual ela é filiada. Pelo partido, Olívia se elegeu três vezes vereadora de Salvador e é a autora do projeto que instituiu o 21 de janeiro como Dia Municipal de Combate à Intolerância Religiosa, muito por conta da perseguição que sofrem as religiões de matriz africana.

Para Olívia, o combate ao racismo não deve ser restrito à Copa, mas deve acontecer principalmente no megaevento. “Defendo a elaboração de uma campanha de combate ao racismo no esporte e, com a proximidade da Copa, com foco no futebol. O negro deu grandes alegrias ao futebol brasileiro, à torcida brasileira. A história do futebol é marcada pelo protagonismo dos jogadores negros”, afirma a chefe de gabinete da Setre.
Torcedores racistas europeus.

Copa sem racismo

Uma das medidas apresentadas por Olívia Santana ao ministro foi a adoção de um livreto educativo sobre a discriminação racial, principalmente no mundo futebolístico. A publicação seria distribuída à população local e aos turistas, nos dias dos jogos do mundial. A sugestão é que o livreto adotado seja “Copa sem racismo”, elaborado pela editora baiana Humanidades Educação.

A Humanidades tem uma política de só publicar trabalhos paradidáticos, relacionados a temas como diversidade e promoção da igualdade e da paz, por exemplo. O Vermelho conseguiu, com exclusividade, os detalhes do livreto que poderá ser adotado. Com 40 páginas, o “Copa sem racismo” traz informações sobre a legislação relacionada ao racismo (Constituição, Estatuto da Igualdade Racial, Estatuto do Torcedor, Código de Ética da FIFA, entre outros).


O livreto dispõe, ainda, de orientações sobre como proceder e a quem procurar em casos de discriminação. São indicadas instituições como as secretarias de Reparação e Igualdade, a Defensoria Pública, ONGs, entre outras. “É um conteúdo que poderia ser utilizado em todas as cidades-sede [da Copa]”, defende a editora de conteúdo da Humanidades, Mariana Barahona.

A editora adianta, também, que casos emblemáticos de racismo no futebol são lembrados na publicação. Entre as histórias, estão as ofensas sofridas pelos jogadores Neymar (em Londres) e Roberto Carlos (na Rússia). Mariana Barahona pretende atualizar os casos e o próximo a ser incluído será o do jogador do Cruzeiro Tinga, citado no início da reportagem.

As discussões sobre as ações de combate à discriminação na Copa do Mundo continuam e Olívia Santana pretende fortalecer as movimentações. Ela espera que, pelo menos na Bahia, estado conhecido pela alegria do seu povo, a Copa seja realizada com festa e fraternidade entre todos. “O ambiente do futebol é incompatível com racismo”, finaliza.

RESTITUIÇÃO DE MANDATOS

Assembleia devolverá mandatos a 13 deputados cassados na ditadura

A Comissão Especial da Verdade da Assembleia Legislativa do Estado (AL-BA) vai devolver, simbolicamente, os mandatos de 13 deputados estaduais cassados durante a ditadura militar (1964-1985), em uma sessão especial no próximo dia 31. A data faz referência ao 31 de março de 64, dia em que foi aplicado o golpe dos militares, que completa 50 anos em 2014.


A solenidade de devolução vai acontecer no auditório do Edifício Senador Jutahy Magalhães, na Assembleia, a partir das 9h. Um encontro promovido pela Comissão da Verdade aconteceu nesta quarta-feira (19/3), com entidades que trabalham nas pesquisas sobre a ditadura, a exemplo da Comissão Estadual da verdade, para discutir a preparação da cerimônia do dia 31 de março.

"Será uma sessão histórica para a Casa Legislativa baiana. E fará parte da semana de rememorar o cinquentenário do golpe militar no Brasil, para que a sociedade brasileira não esqueça, para que jamais volte a acontecer", defendeu o deputado Marcelino Galo (PT), presidente da Comissão da Verdade da AL-BA, através da assessoria.

O Vermelho conseguiu, com exclusividade, a lista de deputados baianos que vão receber o mandato de volta. Entre eles, está o comunista Aristeu Nogueira, cassado em outubro de 1964. A lista completa está no fim da matéria.

Comunistas

Antes da iniciativa de Marcelino Galo, o deputado Fabrício Falcão (PCdoB) já tinha conseguido aprovar, na Assembleia, uma resolução que devolveu os mandatos de dois deputados comunistas e respectivos suplentes, cassados em 1948. A perda dos mandatos aconteceu no governo do então presidente Eurico Gaspar Dutra, período em que o PCdoB perdeu o registro partidário.

Os deputados estaduais que receberam, simbolicamente, o mandato, a partir da iniciativa de Fabrício Falcão, foram Giocondo Dias e Jaime Maciel, junto com os suplentes Mário Alves e Eusínio Lavigne.

A proposta, na Bahia, segue o projeto do senador Inácio Aruda (PCdoB/CE) e da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB/RJ), que reviu a anulação do mandato dos parlamentares federais da época, Luís Carlos Prestes, Jorge Amado, Carlos Marighella, Maurício Grabois e João Amazonas.

Lista de deputados que terão mandatos de volta no dia 31:
Aristeu Nogueira, cassado em 19/10/1964;
Diógenes Alves, cassado em 28/04/1964;
Ênio Mendes de Carvalho, cassado em 28/04/1964;
Hamilton Saback Cohim, Arena, cassado em 13/03/1969;
Luiz Leal, cassado em 01/07/1969;
Luiz da Silva Sampaio, cassado em 01/07/1969;
Marcelo Ferreira Duarte Guimarães, cassado em 13/03/1969;
Osório Cardoso Villas Boas, cassado em 01/07/1969;
Octávio Rolim, cassado em 1964;

Oldack Neves, cassado em março de 1969; 

Padre Palmeira, cassado em 1964;

Sebastião Augusto de Souza Nery, cassado em 28/04/1964;

Wilton Valença da Silva, cassado em 19/10/1966 

OLHA O RAPA!

Agência apreende mais de uma tonelada de produtos clandestinos vendidos em feiras livres.


Agência apreende mais de uma tonelada de produtos clandestinos vendidos em feiras livres

   A Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) apreendeu no último sábado (15) mais de uma tonelada de produtos de origem animal em feiras livres do município de Encruzilhada, no sudoeste baiano, e do distrito de Vila Café, na região de Vitória da Conquista. Entre os itens recolhidos, estavam queijos e manteigas impróprios para consumo. O coordenador regional da Adab em Conquista, Jardel Xavier, afirmou que os produtos, de origem clandestina, não possuíam a documentação sanitária exigida por lei. Dois dias antes da operação, dois caminhões que transportavam aves de descarte sem a documentação necessária também foram apreendidos. Todos os itens foram descartados em aterros sanitários. 
   

FADA MADRINHA.

Dilma nomeia filha de ministro do STF para tribunal federal


A presidente Dilma Rousseff nomeou a advogada Letícia de Santis Mello, filha do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), como desembargadora do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), que abrange Espírito Santo e Rio de Janeiro. Especialista em Direito Tributário e Administrativo, Letícia (37) nunca exerceu qualquer cargo ligado à magistratura. Filha também da desembargadora Sandra de Santis, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, a advogada foi a mais votada na lista tríplice enviada pelo tribunal para a presidente. A sua nomeação foi assinada nesta terça-feira (18), mas publicada nesta quarta (19). Outra parente de ministro do STF também concorre a uma vaga na magistratura. Trata-se de Mariana Fux (32), filha do ministro Luiz Fux, que disputa uma vaga no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A lista da OAB ainda não foi enviada ao TJ. Informações do Terra.

Letícia está rindo à toa. Com motivos.

O (MAU) EXEMPLO VEM DE CIMA...

Carro de ministro da Saúde é estacionado em vaga de deficientes na Câmara.


Carro de ministro da Saúde é estacionado em vaga de deficientes na Câmara

    Durante visita à Câmara dos Deputados para tratar do programa Mais Médicos na tarde desta quarta-feira (19), o carro oficial do ministro da Saúde, Arthur Chioro, ficou estacionado em uma vaga reservada a deficientes, no Anexo 3 da Casa. Segundo informações do jornal O Globo, Chioro chegou ao prédio por volta das 11h para ser ouvido pela Comissão de Fiscalização e Controle e permaneceu até depois das 17h, quando o motorista o aguardava dentro do automóvel estacionado de forma irregular.
   Cadê as autoridades de trânsito que ficam multando e recolhebdo os fusquinhas, os chevettes, nessa hora somem todos, só sobram os jornalistas. Viva a liberdade de imprensa.
   

MAIS PROTEÇÃO À MULHER.

Governador e 116 prefeitos assinam Pacto de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres.

                                Foto: divulgação

   Para reduzir os índices de violência contra a mulher no Estado, o governador Jaques Wagner e 116 prefeitos baianos assinaram nesta quarta-feira (19) o Pacto pelo Enfrentamento à Violência contras as Mulheres, na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB), no Centro Administrativo, em Salvador. O objetivo do documento é estabelecer cooperação entre os âmbitos municipal, estadual e federal para executar as políticas públicas direcionadas ao assunto. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgados no ano passado, a Bahia está em segundo lugar entre os estados brasileiros em número de feminicídio (mortes em conflitos de gênero): foram 9,8 a cada 100 mil mulheres. Apenas o Espírito Santo supera o índice, com 11,24 assassinatos. O Mapa da Violência 2012, do Ministério da Justiça, coloca a Bahia em 6º lugar quanto a homicídios femininos em ambiente doméstico e familiar.  “Estamos nos esforçando para ampliar a rede de atendimento e de acolhimento à mulher, vítima de violência. Essa é um luta diária. Além disso, trabalhamos com a conscientização por meio de palestras em escolas, em associações porque acreditamos que o combate à violência começa com a conscientização”, afirmou Wagner.