terça-feira, 17 de setembro de 2013



Audiência sobre Linha Viva tem 



protestos em Salvador


Obra vai desapropriar 3.200 casas e terá 20 pedágios.
Projeto prevê que pista tenha quase 18 km de extensão.



A quarta audiência pública sobre a Linha Viva, projeto de construção de uma via estruturante que vai passar por diversos bairros de Salvador, foi marcada por protestos na manhã desta segunda-feira (16), no auditório do Parque Tecnológico da Bahia, na Avenida Paralela.
A audiência estava marcada para começar às 9h. Pouco antes das 9h30, moradores do bairro de Saramandaia, além de outros representantes da sociedade civil, estavam do lado de fora e reclamavam por não terem conseguido entrar.
FOTÓGRAFO CARLOS BARBOSA

"Colocaram limite para 60 pessoas que se inscreveram. Pediam inscrição com justificativa e isso não foi divulgado. Muitos moradores de Saramandaia não têm instrução para fazer isso. Estamos aqui desde as 7h, tinha umas 15 pessoas na fila", disse Deise Lima, moradora de Saramandaia.
FOTÓGRAFO CARLOS BARBOSA


FOTÓGRAFO CARLOS BARBOSA



O projeto da Linha Viva foi criado na gestão do prefeito João Henrique e a atual prefeitura deu continuidade. De acordo com o secretário municipal de Transportes, José Carlos Aleluia, o projeto prevê a construção de uma via expressa de quase 18 km de extensão que vai ligar o Acesso Norte, na BR-324, à BA-524, mais conhecida como estrada Cia-Aeroporto.
A previsão é que a Linha Viva passe por bairros e comunidades de Salvador que estão situados na linha de transmissão da Chesf, como Saramandaia, região da Avenida Luís Eduardo Magalhães, Avenida Gal Costa, São Cristóvão e Mussurunga.
Discussão
Logo no início da audiência houve um princípio de tumulto, com um manifestante sendo expulso do auditório pela "guarda municipal" (isso existe em Salvador ??) com auxílio da eficientíssima Polícia Militar da Bahia.
FOTÓGRAFO CARLOS BARBOSA

A ideia da audiência era apresentar o projeto e também ouvir a população. No entanto, os representantes das comunidades que serão atingidas pela obra pediram por diversas vezes que a sessão fosse suspensa. Vereadores também fizeram a mesma solicitação. O secretário José Carlos Aleluia, da Semut, não cedeu e validou a audiência. Ele foi mediado pelo ouvidor do município, Humberto Vieira.
Alguns moradores, políticos e outros representantes da sociedade, como professores e líderes comunitários fizeram perguntas ao secretário sobre o projeto. A maioria também explanou sua opinião contra a construção da via. Dois pontos bastante questionados foram as desapropriações e o fato dos moradores das regiões por onde a Linha Viva vai passar não serem citados no projeto.
"As pessoas que serão atingidas não foram citadas em momento nenhum [na apresentação do projeto]. Vamos perder duas escolas, duas quadras e duas associações. Três mil moradores vão ter que deixar suas casas. Vocês estão entregando o público para o privado", disse Jorge Luis Santos, morador de Saramandaia.
Também estiveram presentes na audiência moradores do Cassange, Mussurunga, São Cristóvão, entre outros bairro.
Essa foi a primeira audiência em 2013. Outras três foram realizadas em 2012. Duas delas chegaram a ser interrompidas por conta de tumultos, informou a Semut.
Ao final da audiência era clara a insatisfação do povo com o que fizeram com o seu voto para PREFEITO DE SALVADOR nas últimas eleições e com o Secretário Aleluia.
FOTÓGRAFO CARLOS BARBOSA





quinta-feira, 12 de setembro de 2013

As cotas para Itamaraty



Branco de olhos verdes é aprovado através de cotas para Itamaraty

Em julho, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, afirmou que a instituição é uma das mais discriminatórias do país


correio24h

Da Redação 
A divulgação da lista dos aprovados na primeira fase do processo seletivo para o Instituto Rio Branco, que seleciona os candidatos que servirão nos quadros da diplomacia brasileira, causou polêmica.
Isso porque dentre os dez candidatos aprovados dentro das cotas para afrodescendentes está  Mathias de Souza Lima Abramovic, que é branco de olhos verdes.
 Itamaraty - cota olhos verdes
 Por Reinaldo Azevedo
Para concorrer nas cotas, basta que o candidato se declare afrodescendente. Não há verificação. Tampouco o edital do processo seletivo define os critérios para concorrer como afrodescendente. Morador do Rio, Mathias ficou com nota final 47.50, quase dois pontos a menos que o último candidato aprovado na livre concorrência.
Mathias é médico com CRM ativo. Em 2011, ele também chegou a ser aprovado na primeira fase do concurso, mas na época ainda não havia o benefício das cotas previsto no edital.
A questão racial é delicada no Itamaraty. Em julho, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, afirmou que a instituição é uma das mais discriminatórias do país.
O próprio Barbosa prestou o concurso, mas foi reprovado nos exames orais, que, segundo ele, davam margem para critérios subjetivos de avaliação e serviam para “eliminar os indesejados”




Em protesto contra violência, MST é recebido a balas por subsecretário






Por José Continho Junior
Página do MST

Um, dois, três. Foi o número de tiros disparados contra militantes do MST nesta terça-feira (10/9) pelo subsecretário de segurança Ary Pereira. Cerca de 300 Sem Terra estavam na porta da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) para cobrar a investigação e esclarecimento do assassinato do dirigente Fábio dos Santos Silva. “Fomos recebidos a bala pelo subsecretário Ary Pereira. Ele já estava com a arma em riste quando nós chegamos”, disse Márcio Matos, da coordenação do MST.
“O nosso protesto era de forma pacífica. Ao chegar na porta, o subsecretário de Segurança Pública da Bahia deflagrou três tiros contra os manifestantes. Não houve ocupação. Nós chegamos até a porta do prédio”, conta Valber Rubens Santos, dirigente do MST.
A ação do subsecretário foi defendida pelo secretário de segurança, Maurício Barbosa. "Não podemos aceitar nenhum tipo de tomada do prédio que representa e simboliza a segurança pública do nosso estado, sob qualquer pretexto.
Nós tivemos que apelar para o uso de arma de fogo em detrimento a inúmeras pessoas que entraram aqui de facão e de foice na mão deliberados a tomar o prédio. Temos que salvaguardar a integridade física dos nossos servidores", afirmou.
No protesto, os Sem Terra pediram o fim da violência no campo e cobraram a investigação do assassinato com 15 tiros de Fábio. A Justiça baiana não investiga o caso.
O subsecretário que efetuou os disparos até o momento não foi punido e sua postura foi defendida. O governo da Bahia afirmou em nota que o “disparo de advertência” “fez os manifestantes recuarem e garantiu a integridade dos servidores que já tinham chegado ao trabalho e das instalações do prédio.
A Secretaria da Segurança Pública afirma estar aberta ao diálogo com o MST, mas repudia qualquer manifestação violenta, que ameace a integridade dos funcionários e as instalações físicas de suas dependências”.
Assassinato
Os mandantes e executores de Fábio ainda não vieram à tona, mas a sua execução ocorreu por um motivo: incomodar os latifúndios de Iguaí. O dirigente já vinha sendo ameaçado de morte, e os grandes proprietários da região se opõem fortemente à presença dos três assentamentos e do acampamento existentes.
Em uma manhã de abril desse ano, um carro que seguia de Iguaí para Palmerinha (BA) foi interceptado por uma moto. Um dos homens desceu da moto, sacou uma pistola e disparou 15 tiros em Fábio dos Santos Silva, dirigente do MST na Bahia. A brutal execução foi testemunhada pela companheira de Fábio e por uma criança. Até hoje, não se sabe quem foram os assassinos de Fábio.
“Quantas vezes os nossos camponeses e trabalhadores serão assassinados? É esse tipo de ação, com o uso da pistolagem, covarde e cruel, que estamos convivendo no campo brasileiro. Esse assassinato, com claros sinais de execução, não pode ficar impune”, disse o deputado Valmir Assunção (PT-BA).  




Debate: O conflito na Síria e a intensificação das guerras imperialistas


A Federação Mundial das Juventudes Democráticas (FMJD), na qual a UJS ocupa a vice-presidência para a América Latina, intensifica seu trabalho para divulgar o 18º Festival Mundial de Juventude e Estudantes (FMJE), que será realizado em Quito, capital do Equador, entre os dias 7 e 13 de dezembro.
AFMJD realiza hoje (12) na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) um debate com o tema “O conflito na Síria e a intensificação das guerras imperialistas”, com a participação da psicanalista e autora do livro Imigração Árabe 100 anos de reflexão Claude Fahd Hajjar e o coordenador do curso de geografia da USP André Martin.
Este debate será o primeiro de uma série de atividades realizadas no Brasil a fim de divulgar e mobilizar a juventude brasileira para participar do 18º FMJE (ver aqui) “o FMJE é o maior encontro de jovens anti-imperialistas no mundo. O momento político exige uma articulação internacionalista para a juventude, dos quase 200 milhões de desempregados no mundo, cerca de 74 milhões são jovens entre 15 e 24 anos de idade, esta é a consequência desastrosa das práticas econômicas das grandes potências, não bastasse esta situação, querem resolver seus problemas intensificando a guerra e a espionagem, subjugando outros povos aos seus interesses”, salientou o diretor de Solidariedade Internacional da UJS, Ismael Cardoso.
UJS pinta a embaixada norte-americana em protesto contra a guerra
A UJS liderou protestos pela paz em diversas cidades brasileiras na sexta-feira (6). O maior e mais significativo ocorreu em Brasília, onde a UJS marchou com mais de 400 jovens em frente à embaixada dos Estados Unidos para protestar contra a tentativa de invasão norte-americana à Síria, uma guerra que pode ter conseqüências imprevisíveis para ao futuro da humanidade. A UJS tingiu a embaixada de vermelho e azul para denunciar mais essa manobra unilateral do governo dos EUA que ameaça o planeta com seus objetivos armamentistas. 
Participe do Lançamento do 18º FMJE
Dia 12 de Setembro às 18h00
Anfiteatro Geografia (USP)
Debatedores:
Claude Fahd Hajjar
Psicanalista e autora do livro Imigração Árabe 100 anos de reflexão.
André Martin
Coordenador de curso de geografia.
Marcos Aurélio Ruy, da redação
Matéria do UJS

Trepadeiras: Mulheres realizam ato contra músicas que incitam machismo

Na noite do dia (10), o rapper Emicida se apresentou em um show no Sesc Pinheiros, zona oeste da capital paulista. Porém, paralelo ao show, ocorreu também uma manifestação em frente ao local, em repúdio a uma canção que o cantor compôs, no qual incita a violência contra a mulher.
A manifestação intitulada de “1º Ato das Trepadeiras” faz menção à música de Emicida, que leva o nome “Trepadeira”, e chama a atenção para discutir sobre a cultura ostentada de gerações em gerações, em que compositores fazem canções que humilham, submetem as mulheres e incitam a violência contra elas.
As organizadoras do evento divulgaram uma nota para esclarecer a que se deu o ato e também chamam a atenção pedindo pelo fim da cultura em que se emprega a violência contra a mulher, vendendo músicas em diferentes vertentes, que cultuam o machismo, a brutalidade contra mulheres. Sobretudo, destaca a vulnerabilidade da mulher na sociedade, pois a cada 12 segundos, uma é violentada no país.
Confira a nota:
Na canção de Emicida, “em que o personagem masculino da canção proclama que sua companheira merece apanhar e morrer por envenenamento, além de sua absoluta descartabilidade após o ato sexual, numa composição cheia de apologia à violência social, física e psicológica da mulher, impondo padrões morais e estéticos e cerceando sua liberdade, cujo o auge da promoção misoginia está na rima: ‘merece era uma surra de espada-de-são-jorge e um chá de comigo-ninguém-pode’.”
CHEGA!!!!
Queremos, a partir do 1º ATO DAS TREPADEIRAS, desautorizar qualquer um a dançar, a sorrir cinicamente, a se divertir e, muito menos, a ganhar dinheiro às custas de hematomas, dores, humilhações diárias e mortes que chegam ao endêmico número de UMA MULHER AGREDIDA A CADA 12 SEGUNDOS, só no Brasil.
Trata-se de um profunda mudança cultural da qual não podemos mais nos furtar em promover. Não é um problema do RAP, não é um problema do samba, não é problema do pagode, do funk, do sertanejo, nem do rock e nem do POP, é um problema da sociedade e, sobretudo, de TODAS as mulheres.
Não queremos mais o eterno papel de vítimas que nos enfiam goela e ouvidos abaixo!
Somos guerreiras! Somos trabalhadoras e se “a rua é nóis”, é bom que fique bem claro que “100% da rua foi a mulher que pariu!”.


Nota do Cimi sobre a Instalação da Comissão Especial da PEC 215/00




O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) repudia com veemência a decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que, por meio de Ato da Presidência, constituiu, no calar da noite desta terça-feira, 10, a “Comissão Especial destinada a apreciar e proferir parecer à Proposta de Emenda à Constituição no. 215-A, de 2000”.
Esta proposição legislativa, caso aprovada, alterará os artigos 49, 225 e 231 da Constituição Federal transferindo a competência da demarcação de terras indígenas, da titulação de quilombos e da criação de Unidades de Conservação Ambiental do Poder Executivo para o Poder Legislativo.
A instalação da Comissão Especial atende única e exclusivamente aos interesses da bancada ruralista no Congresso Nacional e reforça a declaração de guerra do latifúndio contra os povos indígenas, contra os quilombolas, contra o meio ambiente e os respectivos direitos constitucionalmente estabelecidos.
A PEC 215/00 constitui-se num atentado à Constituição Cidadã e à própria democracia no Brasil. O Cimi chama a atenção para o fato de que está em curso uma verdadeira ditadura absolutista do agronegócio no país.
Reiteramos a solidariedade aos povos indígenas e o compromisso de apoio às lutas necessárias dos povos em defesa de seus projetos de vida, pela rejeição à PEC 215/00, contra as forças da morte do ruralismo no Brasil.
Brasília, DF, 11 de setembro de 2013
Conselho Indigenista Missionário - Cimi



Ser Índio no Sul da Bahia virou crime! E a sentença é a morte!
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A violência contra nós Tupinambá continua! O fato de sermos indígenas virou crime! E a sentença é dada sem haver julgamento, basta ser indígena ou apoiar os Tupinambá para já estar condenado. Nesta semana houve vários casos de violência contra nós Tupinambá. No dia 03 de Setembro um índio foi assassinato e tem tido várias tentativas de assassinado contra indígenas aqui na região. Inclusive algumas de nossas Lideranças sofreram atentados de morte. Pistoleiros têm rondado a nossa área. O terror continua!!!

Dia 05 de Setembro de 2013, o professor Edson Kayapó, coordenador da Licenciatura Intercultural Indígena do Instituto Federal da Bahia (IFBA), mesmo não sendo Tupinambá, só pelo fato de ser indígena foi espancado e só não foi assassinado pois a arma falhou!!! Tudo isso aconteceu em Buerarema, e este crime foi cometido pelos Jagunços dos supostos pequenos agricultores, contrários à demarcação de nossa Terra Tradicional.

Onde estava a Força Nacional neste momento?

Antes disso, o professor Edson Kayapó, tinha passado por outra violência na Cidade de São José da Vitória, quando o carro onde estava foi parado por manifestantes induzidos pelos supostos pequenos agricultores atearam fogo no carro onde estava juntamente com outros professores que inclusive estavam aqui em Tupinambá fazendo atividades com os professores indígenas Tupinambá que estão cursando o LINTER.

Leiam o relato do próprio Edson Kayapó postado em seu Facebook:

5 de Setembro de 2013:
“Um crime absurdo!
Mais um carro (oficial) incendiado e professores e motorista da Licenciatura Intercultural Indígena do IFBA ameaçados.
Foi hoje [5/9], por volta das 11h, um grupo de quatro capangas interceptaram o carro do IFBA, em São José da Vitória, nas proximidades de Buerarema. Eu estava com os professores João Veridiano (Antropólogo), a professora Julia Rosa (História Indígena) e o motorista. Tínhamos concluído atividades da LINTER em Olivença e estávamos a caminho de Pau Brasil, onde teríamos atividades na aldeia Caramuru (Pataxó Hã Hã Hae). Os capangas pararam o carro e disseram: ‘tem um índio no carro’ e, em seguidas, fomos violentamente expulsos do carro e o veículo foi levado por eles.
Fui orientados pelos colegas de trabalho a voltar de táxi para Itabuna, uma vez que os capangas demonstravam ódio contra índios. Foi o que eu fiz, no entanto, o taxi foi interceptado em Buerarema e lá fui espancado e ameaçado de morte por pessoas desconhecidas.
O carro do IFBA foi incendiado e jogado no meio da BR, na cidade de São José da Vitória. Os colegas de trabalho bem, estão na delegacia da cidade e eu, nem sei onde estou… Escondido? De que mesmo? Não cometi nenhum crime.
A violência contra nossos povos não recua e toma proporções alarmantes.
As autoridades pouco esforços mobilizam contra esse estado de coisas.
06 de Setembro de 2013:
Queria que fosse só um pesadelo, mas foi bem assim:
Você é índio, né?
- Sou Kayapó, não sou daqui da Bahia.
Mas você é indío, né?
-Sou, sou Kayapó, sou da amazônia.
O que você tá fazendo aqui?
- Sou professor do IFBA, trabalho na Licenciatura Intercultural Indígena.
Você é amigo deles.
Você está preparado pra morrer?
- (silencio)
(barulho do gatilho da arma…Não disparou)
Vá embora, nem olhe para trás”.
Esta matéria foi publicada originalmente na Rede Índios on Line - www.indiosonline.net

Escrita por  
Advogada Indígena, militante social pelos Direitos Humanos Indígenas. Potyratupinamba@indiosonline.org.br