sexta-feira, 10 de julho de 2015

Professores e universitários em greve fecham rodovias durante protesto na Bahia

Os professores e estudantes das universidades estaduais da Bahia, em greve há 58 dias, fecham as rodovias BR-101, BR-119, BR-116 Norte e a BR-415 durante um protesto na manhã desta quinta-feira (9). O grupo, que reúne docentes e alunos das Uneb, Uefs, Uesb e Uesc, reivindica um aumento do orçamento voltado para a educação pública superior no Estado da Bahia. 
Professores universitários em greve fecham rodovias na Bahia durante protesto
(Foto: Divulgação ADUSB)
O ato foi unificado pelos Comandos de Greve e Mobilização estudantil e dos professores. Os protestos, que começaram por volta das 7h, acontecem na BR-101, em frente à Uneb de Eunápolis); na BR-119, em Vitória da Conquista; na BR-116 Norte, em frente à Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs); e na BR-415, nas proximidades da Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os protestos na BR-116 Norte e na BR-119 foram encerrados por volta das 10h de hoje. As outras duas manifestações, nas BR-101 e BR-415 continuam até às 11h desta quinta-feira (9).   
Professores e estudantes de Uneb, Uefs, Uesb e Uesc cobram investimento do governo e garantia dos direitos trabalhistas (Foto: Divulgação ADUSB)
A greve dos professores das universidades estaduais se estende há quase dois meses. Mais de 60 mil estudantes estão sendo afetados com a paralisação, informou o grupo representante do movimento das Universidades Estaduais da Bahia (Ueba).  
A categoria cobra a ampliação do número de professores e investimento de 7% da receita líquida de impostos (RLI) para o orçamento das Instituições. Em nota, a Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (ADUSB) afirma que as universidades estaduais passam por uma grave crise orçamentária.
Comandos de greve dos docentes e da Uneb atearam fogo em pneus e fecharam a BR-101
(Foto: Divulgação)
“Faltam professores, salas de aula, materiais para laboratórios, combustível e recursos para o pagamento de água, luz e telefone, por exemplo. Mesmo com o crescimento total do orçamento, as verbas para manutenção, investimento e custeio foram reduzidas em R$ 19 milhões nos últimos dois anos”, informa a nota da ADUSB.   
O movimento docente apresentou uma proposta de negociação na última segunda-feira (6). Uma nova rodada de negociações está marcada para acontecer ainda nesta quinta-feira (9), às 16h, na Fundação Luís Eduardo Magalhães (Flem), no Centro Administrativo da Bahia.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Sergipe instala sua Comissão da Verdade


 

A Comissão Estadual da Verdade, de Sergipe, deve ser, segundo definiu o governador Jackson Barreto (PMDB), na instalação do grupo nesta terça (30), um instrumento para identificar e tornar pública as graves violações aos Direitos Humanos


Resgatar as verdades de um período repleto de lacunas na história de Sergipe e do Brasil, a Ditadura Militar. Com esse propósito o governador Jackson Barreto assinou nesta terça-feira (30) o decreto que instala a Comissão Estadual da Verdade Paulo Barbosa de Araújo. Um ato histórico em nome da democracia e da memória daqueles que lutaram e sofreram pela redemocratização do País.

A Comissão Estadual deve ser um instrumento para identificar e tornar pública as graves violações aos Direitos Humanos praticados durante o regime militar, ainda que não tenha função punitiva.

“Ela não tem um caráter revanchista, não é o ódio que a conduz, no entanto, é preciso o esclarecimento dos fatos para guardarmos para História, para que as novas gerações, de forma profunda, tomem conhecimento do que aconteceu em Sergipe. Servirá, também, como um alerta para que estes fatos nunca mais se repitam, nem em Sergipe nem em qualquer parte do Brasil. É um ato em favor da democracia. Nós devíamos isso ao povo sergipano, aos que lutaram pela redemocratização do País e deram sua contribuição aqui, em Sergipe. Aos que foram presos, torturados, aos que desapareceram, àqueles que foram cassados ou demitidos das suas funções públicas, àqueles que foram julgados por tribunais militares e acusados da Lei de Segurança Nacional. Sem dúvida alguma, é um registro que precisa ficar guardado não apenas na mente, mas nos documentos da história do nosso estado”, explicou o governador.
De acordo com Jackson Barreto, que participou ativamente da luta pela redemocratização do Brasil, o momento foi também de emoção ao relembrar os obstáculos enfrentados na época de repressão.
“Quando a gente reencontra os companheiros e relembramos tudo que enfrentamos, a gente diz: valeu. Digo com o coração aberto, tudo o que fizemos pela democracia e pela liberdade faríamos novamente. Preparamos essa Comissão com muito zelo, fizemos os convites às pessoas bastante qualificadas e acima de qualquer avaliação de ordem pessoal. Queríamos uma comissão que tivesse carimbo de pessoas comprometidas com a verdade, pesquisadores, historiadores, pessoas ligadas à Universidade e que fossem capazes de, ao final desse trabalho, oferecer um documento para que a gente possa amanhã guardar as memórias do período de chumbo da ditadura de Sergipe, dos que foram vítimas, dos que foram perseguidos. E para que as novas gerações tenham esse documento como fonte de pesquisa para saber o que aconteceu no passado e ajudar a formar sua personalidade, seu caráter, seu compromisso democrático, e contribuir para que esses fatos nunca mais se repitam nem em Sergipe, nem no Brasil”, reforçou.

“A minha geração cresceu e se forjou tendo que enfrentar o que talvez seja a pior adversidade de uma sociedade: a negação do direito à expressão e à liberdade. Saímos melhores dela; e se é na adversidade que se constrói o caráter, foi ali que consolidamos o sonho de uma sociedade mais justa, mais igual e, acima de tudo, livre, um sonho que hoje guia a nossa visão de mundo e a nossa ação como políticos e governantes”, discursou Jackson.

Em seu discurso, o governador destacou ainda, as atribuições da comissão. “Ela tem papel e objetivos claros, e eu diria, vitais para nossa democracia, como bem expressa o decreto de sua criação: a esta Comissão está dada a tarefa de esclarecer os fatos e as circunstâncias dos casos de graves violações de Direitos Humanos no período que vigorou a ditadura militar no Brasil. Promover o esclarecimento circunstanciado dos casos de perseguição política, prisões arbitrárias, torturas, mortes e/ou assassinatos, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres e sua autoria, ocorridos no território do Estado de Sergipe, ou contra sergipanos, ainda que ocorridos fora do Estado; identificar e tornar públicas as estruturas, os locais, as instituições de Sergipe e as circunstâncias relacionadas à prática de violações de Direitos Humanos. Encaminhar aos órgãos públicos competentes toda e qualquer informação obtida que possa auxiliar na localização e na identificação de corpos e restos mortais de desaparecidos políticos. Colaborar com todas as instâncias do poder público para a apuração de violações de Direitos Humanos. Recomendar a adoção de medidas e políticas públicas para prevenir violação de Direitos Humanos, assegurar a sua não repetição e promover a efetiva reconciliação estadual e nacional. Promover, com base nos informes obtidos, a reconstrução da história nos casos de graves violações de Direitos Humanos, bem como, colaborar para que seja prestada assistência às vítimas e familiares, de tais violações e estabelecer medidas necessárias à guarda e conservação da documentação e registros históricos coligidos ao longo do trabalho”.

Foram apresentados os membros que compõem a Comissão, composta por pesquisadores consagrados no estado. Doutor em Ciências Econômicas, o ex-reitor da Universidade Federal de Sergipe e reitor da Universidade Federal de Integração Latino Americana (Unila), o professor Josué Modesto dos Passos Subrinho, presidirá a Comissão. Para o reitor, é uma honraria presidi-la. “A comissão é formada por diversos pesquisadores que estão em plena atividade, que estão produzindo esses estudos importantes. Presidir esta comissão, nas circunstâncias que eu ainda estou exercendo na Reitoria, é um encargo muito desafiador, mas eu tenho certeza que os membros da Comissão estão muito entusiasmados com este desafio lançado pelo Governo do Estado. Esperamos contribuir para o resgate da memória, deste período da história de Sergipe. Já há muitas pesquisas e publicações importantes, há muita documentação, o que precisamos fazer é tornar essa documentação mais sistemática e mais acessível ao público e aos pesquisadores em geral”.

Segundo o presidente, a instalação da Comissão contribuirá para facilitar o acesso a algumas documentações mais reservadas, como boletins oficiais e documentações do Exército. “Com base na Lei de Acesso à Informação, todas as comissões tentam vencer as resistências de alguns organismos públicos que ainda resguardam essas documentações. Esperamos que elas sejam publicizadas e principalmente que não sejam perdidas provocando lacunas na nossa história. Esse é um dos aspectos do trabalho da Comissão”.
 
Além de Josué Modesto dos Passos Subrinho, integram a Comissão: o jornalista, pesquisador e professor Gilfrancisco; o doutor em Sociologia, pesquisador sobre a Ditadura Militar no Brasil e professor da Faculdade Sergipana, Hélder Teixeira; o pesquisador, doutor em História e professor da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), José Vieira da Cruz ; a pesquisadora em Direitos Humanos, doutora em Sociologia e professora da UFS, Andréa Depieri; a doutora e professora do Mestrado em Direitos Humanos da Universidade Tiradentes (Unit), Gabriela Rebouças e o doutorando em Ciências Sociais e professor de Direito da UFS, José Afonso do Nascimento. O ex-secretário de Direitos Humanos e coordenador de Direitos Humanos da Secretaria de Estado Mulher, da Inclusão e Assistência Social, do Trabalho e dos Direitos Humanos (Seidh), professor Antônio Bittencourt, fará a interlocução entre a Comissão da Verdade e o Governo do Estado.

Para quem combateu diretamente a ditadura e sofreu as consequências do sistema, Sergipe dá um importante passo para contribuir com as memórias deste período sombrio, é o que conta o atual diretor da Fundação Renascer, Wellington Mangueira, que foi preso político no Regime Militar.

“Esse decreto é muito importante, porque resgata para os sergipanos e para os brasileiros uma história que muitas vezes foi mal contada. Essa comissão, formada por pessoas da mais alta capacidade intelectual, moral, ética, poderá buscar nos porões da ditadura, nos arquivos públicos, nos depoimentos das pessoas que sofreram as torturas que os militares impuseram a pessoas honradas simplesmente pelo direito de poder pensar, por querer a democracia, por lutar por um mundo mais justo, sofremos e muitos perderam até a vida. Essa comissão vem para mostrar para Sergipe e para o Brasil o que foi aquele período terrível da ditadura militar. A gente fica emocionado, porque lembra das torturas, do pau de arara, dos choque elétricos, da cadeira do dragão e é claro que,tudo isso nos remete a momento difícil da nossa vida”, recorda Mangueira.

O presidente da OAB/SE, Carlos Augusto Monteiro Nascimento, informou que a Comissão instalada oficialmente pelo Governo do Estado estimulará outras entidades a colaborarem para a lucidez das informações sobre esta época da história do Brasil. “O Conselho Federal [Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil] e algumas seccionais já têm a sua própria Comissão e a partir desta sinalização do Governo, naturalmente a Ordem se irmanará nesse projeto contribuindo no que for necessário e com certeza, também, estimulará a criação da nossa comissão no âmbito da nossa seccional. Há uma grande fonte de informações e nós poderemos nos unir, não só aqui em Sergipe, mas também com registros históricos com a seccional da Bahia e a seccional de outros estados que muito contribuirá para o resgate de toda a verdade”.

Homenagem
A comissão homenageia o militante e pesquisador das ações da Ditadura Militar no Estado de Sergipe, Paulo Barbosa de Araújo. Preso pela Ditadura, Paulo Barbosa era formado em Ciências Econômicas, foi professor de Economia, editor da Gazeta de Sergipe e articulista. Barbosa faleceu em 2000.

“Nós todos da família nos sentimos muito honrados por esta homenagem, pela indicação do nome do Paulo para a comissão da Verdade. É realmente uma homenagem pelo trabalho de jornalista, pesquisador, batalhador sempre voltado para as questões sociais. Ele tinha um ideal muito intenso em prol da liberdade, liberdade de expressão e liberdade da pessoa humana como um todo. Tenho certeza que esta comissão vai cumprir com os objetivos pelo qual ela foi instalada”, declarou a viúva de Paulo Barbosa, a senhora Osa Maria Machado de Araújo.

 

Eduardo Cunha puxa o tapete e tenta derrubar a juventude

 
Votação do dia 30 e a não aprovação da emenda aglutinativa.
No dia 30 de junho, após muita discussão e demora, foi colocada em votação uma emenda aglutinativa, ou seja, uma proposta de alteração, ao Projeto de Emenda Constitucional 171. Essa alteração visava a redução da maioridade penal de 18 para os 16 anos, sem abarcar todos os crimes, se resumindo apenas aos crimes hediondos, lesões corporais graves, tráfico e homicídio doloso (com intenção de matar).
Ao ser posta em votação, dos 487 deputados/as presentes, 303 votaram favoráveis a redução e 184 disseram não a retirada de direitos da juventude!
Por que o PEC não foi aprovado no dia 30?
Por se tratar de Projeto de Emenda Constitucional, isto é, alterar a Constituição, o processo de aprovação da proposta é mais rigoroso. O procedimento previsto no texto da nossa Constituição (artigo 60, §2°) diz que para entrar em vigor a Emenda deve ser aprovada por 3/5 dos legisladores, por duas vezes, tanto no Câmara, como no Senado. Como temos 513 deputados no Congresso Nacional, o número mínimo para aprovação da Emenda 171 seria 308, o qual não foi atingido!
Eduardo Cunha não se conformou com a derrota e arquitetou um GOLPE!
No dia seguinte, dia 1° de julho, Cunha (PMDB), Presidente da Câmara dos Deputados, orquestrou uma manobra junto PSC, DEM e PSD, que colocou novamente na ordem do dia a votação da Redução da maioridade Penal. Mesmo sendo contra o regimento da casa, que prevê a impossibilidade de votação de uma proposta já derrotada na sessão, às 00:03 do dia 2 de julho, foi aberta a contagem de votos para aprovação da nova emenda aglutinativa ao PEC 171. Acompanhada de um sorriso do maestro Cunha, a vitória da bancada BBB (Bala, Boi e Bíblia) foi concretizada com 325 votos a favor da Redução!!!
Não se contendo em burlar o regimento do Congresso Nacional, Cunha ainda fere diretamente a Constituição e suas cláusulas pétreas (artigo 60, §4°, IV)! A liberdade da juventude, o direito de viver é uma garantida individual, tornando inconstitucional qualquer proposta que vise reduzir esses direito. 
Qual a diferença entre a proposta aprovada no dia 1° e a rejeitada no dia 30?
A diferença básica entre as duas propostas reside exatamente na retirada do tráfico de drogas e do roubo qualificado da emenda aglutinativa ao PEC 171, cuja a aprovação foi viabilizada no golpe promovido pela bancada conservadora do Congresso.
Isso é definitivo? Ainda há tempo pra lutar!
Não, a redução ainda não está em vigor! Como já dito anteriormente, o processo de mudança da Constituição é bem mais rigoroso. Exige duas votações, na Câmara e no Senado, aprovadas por 3/5 dos/as legisladores/as.  Além disso, para que seja votada a segunda vez pela Câmara dos Deputados, exige o prazo mínimo de 5 sessões.
Vamos, juventude! Vamos lutar pelo Direito de viver! Ocupemos as ruas contra a redução da maioridade penal, mas, além disso, exigindo a aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), bem como a efetivação de políticas públicas para a juventude.

Boulos pergunta: até onde irá Eduardo Cunha?

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Líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos, faz alerta contra a presidência do peemedebista na Câmara: “Eduardo Cunha avança numa marcha avassaladora. Viola regras democráticas e repete votações a seu gosto. A complacência de hoje poderá ter um preço alto no futuro. Precisa ser barrado, antes que seja tarde para o Brasil”

O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos, contesta a condução da presidência da Câmara por Eduardo Cunha (PMDB).
“Ele é o dono da bola e faz questão de deixar isso claro. Conduz as sessões com seu sorriso cínico, deixa a votação correr até assegurar a maioria, telefona da cadeira de presidente para os deputados faltantes, convocando-os. Sem nenhum pudor impõe suas regras ao processo democrático”, diz.
Sua meta de longo prazo, diz ainda, é o parlamentarismo: “Um belo atalho ao poder máximo da República para alguém que não o conseguiria pelo voto popular”. E alerta: “Eduardo Cunha avança numa marcha avassaladora. Viola regras democráticas e repete votações a seu gosto. A complacência de hoje poderá ter um preço alto no futuro. Precisa ser barrado, antes que seja tarde para o Brasil”

ASSASSINATOS DE ÍNDIOS CRESCEM 130% EM 2014, APONTA RELATÓRIO DO CIMI

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O relatório “Violência contra os Povos Indígenas no Brasil”, elaborado e divulgado pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário), nesta sexta-feira (19), apontou o crescimento de 130% no número de índios assassinados em 2014.

O dado alarmante mostra que 138 índios foram mortos no ano passado, sendo 16 casos envolvendo mulheres. Já em 2013 foram registradas 53 mortes violentas.

As mortes foram ocasionadas, em sua maioria, por violações aos direitos das comunidades indígenas no país descritos em “conflitos extremamente graves”.

O estudo detalha que parte das mortes foram resultado de conflitos internos, em função do uso de bebidas alcoólicas em áreas indígenas. Também há registros de assassinatos em decorrência da situação de confinamento populacional. Somente no Mato Grosso do Sul existem 40 mil pessoas confinadas em pequenas reservas. O relatório diz ainda que ocorreram outras mortes por “conflitos fundiários ou de conflitos com madeireiros que invadiram terras indígenas já demarcadas”.

“A dor, as ameaças, as invasões, as torturas, as agressões cotidianas expressam as condições a que os povos indígenas continuam sendo submetidos”, destaca o presidente do Cimi, Erwin Kräutler, que também é bispo da Prelazia do Xingu.

O Cimi analisa que ampliação do poder político dos ruralistas na decisão sobre as demarcações das terras dadas pelo governo brasileiro em 2014 acirrou a violência em todas as regiões do país. “Nas regiões Sul, Nordeste e Centro-Oeste, comunidades indígenas foram atacadas a tiros, gerando pânico e causando entre as pessoas, incluindo crianças, jovens e idosos, uma tremenda angústia e medo de morrer”, descreve o relatório.

O dado aponta ainda que em 2014 ocorreram 50 registros de ameaças de morte e tentativas de assassinato contra índios. O Estados que lideram as ocorrências são Maranhão, Pará, Paraná, Minas Gerais e Bahia. “Nestes e nos demais Estados são notórias outras agressões contra a pessoa, tais como espancamentos, humilhações e intimidações, em função dos conflitos resultantes de litígios, invasões territoriais e da falta de providências administrativas para a demarcação das terras”, diz o estudo.

Segundo do Cimi, as comunidades indígenas de pyelito kue, no Mato Grosso do Sul, e de tupinambá, na Bahia, foram atacadas por pistoleiros. Houve também registro de expulsão de índios kaingang, que estavam acampados em rodovia estadual no município de Erval Grande, no Rio Grande do Sul. A ação teve apoio da PM (Polícia Militar) mesmo sem existir ordem judicial para desocupação do acampamento.

“São emblemáticas as prisões ilegais e torturas praticadas na área do povo tubinambá, na Bahia. No Rio Grande do Sul, a Polícia Federal adentrou a área kandoia e, sob o pretexto de cumprir ordem judicial de busca e apreensão, invadiu os barracos dos indígenas. Mantidos em uma pequena igreja, foram obrigados a fornecer saliva, supostamente para a realização de exames genéticos”, relatou o Cimi.

Crianças mortas
A precariedade das aldeias e das Casai (Casas de Apoio à Saúde Indígena) também são apontadas como causas de mortes de índios. Os Estados de Pará, Rondônia, Roraima, Maranhão e Bahia são os mais desassistidos.

Em todo o Brasil, foram registrados 79 casos de desassistência em saúde e 21 mortes de índios adultos pela falta de assistência do poder público.

“Igualmente cruéis são as violências decorrentes da omissão do poder público. Em especial, o descaso com a saúde, que impossibilita aos indígenas o acesso a recursos, procedimentos médicos, exames e medicamentos que poderiam lhes garantir melhores condições de vida”, ressalta o texto.

Outro dado chocante que traz no relatório diz respeito às crianças indígenas. Pelo menos 785 crianças com idade entre 0 e 5 anos morreram em 2014.

Segundo o Cimi, a aldeia xavante, localizada no Mato Grosso, lidera o número de mortes com registro 116 óbitos de crianças de 0 a 5 anos. A aldeia ianomâmi, na Amazônia, vem em segundo lugar com 46 mortes de crianças de 0 a 1 ano. “No caso dos xavantes, a mortalidade infantil chega a mais de 141,64 casos por mil nascidos vivos e um índice semelhante é registrado em Altamira, no Estado do Pará, onde o índice de mortalidade infantil chegou a 141,84 óbitos por mil nascimentos.”

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Índios Kiriri ameaçam invadir município de Banzaê, durante protesto

 
A população de Banzaê, localizada no centro-norte baiano, passou por momentos de tensão na tarde desta terça-feira, 30, após a informação de que os índios Kiriri – que vivem nas proximidades do município – ameaçaram invadir a cidade, caso a prefeita Patrícia Almeida (PT) não aceitasse negociar a liberação da BA-388 pelos manifestantes.

A informação foi dada pela rádio Pombal FM, que conversou com o líder indígena, identificado como Dernival, enquanto este confirmou que adotaria a medida extrema caso não houvesse um posicionamento da gestão municipal, preocupando a população da cidade.

Em conversa com a imprensa, a prefeita afirmou que já foi marcada uma reunião com os líderes da tribo que será realizada na sede da prefeitura, nesta quart-feia, 01, no turno vespertino. Também participarão representantes da Funai, da Casa Militar e da Secretaria de Justiça dos Direitos Humanos. “A reunião foi uma reivindicação da comunidade, e esperamos poder resolver as suas questões nesta quarta”, explicou ela, afirmando que, apesar do susto, não houve qualquer ocorrência mais grave.

Durante a tarde, a prefeita utilizou sua conta no Facebook para acalmar os ânimos dos habitantes e afirmou que estaria “aguardando a indicação de uma comissão e/ou um líder para dialogar sobre o que dizem respeito à comunidade em questão, o que até agora não foi feito, em que pese já haver solicitado através do Comando da Polícia Militar e da Caatinga”. Segundo ela, por conta dessa mesma ausência da definição de uma liderança, os representantes da prefeitura foram recomendados a não entrar na reserva.   

Ainda nesta terça-feira, a gestão municipal afirmou, através de uma nota, que tem “respeito e admiração pela história deste povo”, e que “nunca mediu esforços para atender aos anseios da população indígena”. Contudo, segundo a prefeitura, muitas solicitações fogem da competência da administração, e que, neste sentido, “junta forças ao Povo Kiriri para ecoar mais forte e fazer prevalecer os seus direitos”.

Ocupação da BA-388
Desde o dia 27, os índios haviam bloqueado um trecho da BA-388, que liga o povoado de Nova Esperança (pertencente à Ribeira do Pombal) a Banzaê, reivindicando uma série de melhorias para a comunidade indígena, como o transporte escolar para os jovens da aldeia, e disponibilidade de uma ambulância para realização de atendimento médico no território, a limpeza de estradas, e também a iluminação pública na região onde residem os nativos.

Segundo a nota da Prefeitura de Banzaê, a educação da comunidade indígena é de responsabilidade do Governo do Estado, e toda reivindicação envolvendo o transporte escolar, deve ser feita junto à administração estadual. Já em relação à ambulância, a gestão afirma que a saúde da comunidade Kiriri está a cargo do Governo Federal, através da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), ligada ao Ministério da Saúde.

Sobre a iluminação pública, o Município afirma fazer manutenções periódicas na rede elétrica das aldeias.  E no tocante à limpeza de estradas, a gestão esclareceu que todo empreendimento ou retirada de recursos naturais em território indígena necessita de autorização da Funai, inclusive as obras do PAC.

Blog A vez das Minorias de volta aos trabalhos!!!

Após um período fora do ar, nosso BLOG está de volta à ativa e pronto pra trazer notícias e conhecimento para nossos leitores. Juntos continuaremos mostrando às pessoas as realidades que as elites e a mídia manipulada não quer que o povo tenha conhecimento.

Por um povo mais livre e por uma mídia independente!!!